sábado, 13 de fevereiro de 2016

Top 5 :perfumes importados favoritos

Resenha em vídeo do meu Top 5:perfumes importados favoritos.

A resenha sobre eles você encontra nesse post aqui, com o acréscimo de uma resenha que faço agora do querido Ô de Lancôme,  que está no meu top 5 perfumes importados preferidos(na verdade são 6 perfumes!)

Ô de Lancôme





Criado em 1969 em clima de "Peace and love". Guarda no seu coração verde, luminoso e fresco as ânsias de liberdade, a sensação de sol, lume, a fugacidade da juventude. Perfume filho de seu tempo é pura irmanação com a natureza e o otimismo juvenil. Linda nota de madressilva, com alecrim o mais feliz possível.Muito manjericão, citrinos fresquissimos, musgo e vetiver terrosos para nos sentirmos em pleno campo aberto junto aos hippies chics. Dura muito na pele refrescando o dia todo. Tem um quê de Diorella, Vent Vert e Cristalle de Chanel. Mas o Laranjeira em flor da natura é seu filho mais bonito.

Sou completamente apaixonada por esse cheiro tão tônico, citrico verdinho e radiante que me envolve sempre.

Resenha em video dos meus top 5 perfumes importados favoritos


Espero que gostem de meu top 5 perfumes importados favoritos!


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Les Égocentriques de Ego In Vitro





Senti-me bastante afortunada de ter sido uma das blogueiras escolhidas para resenhar a criação "Les Égocentriques"  da Ego In Vitro e tentei dar a este trabalho precursor em terras brasileiras uma atenção respeitosa como lhe é merecido.
Trata-se do trabalho árduo do caro Daniel Barros metamorfoseado em 9 fragrâncias inspiradas no Eneagrama das Personalidades que também se compõe de 9 personalidades . As fragrâncias vêm em em embalagem esmerada e além dos 9 frascos  traz um décimo vidro vazio que é um convite ao além. Explorar e recombinar conforme nos  parecer melhor.Corajoso convite ao auto conhecimento numa exploração dos sentidos.
A proposta é que os 9 cheiros funcionem sozinhos combinando-se também entre si. Confesso que fiquei absolutamente entusiasta da proposta e deixe-me levar pela tentativa de percepção de notas, saber quais me conquistariam mais e por fim me arriscando em algumas combinações, conforme o proposto.As possibilidades são ad infinitum. Nossos egos mandam. Nossas escolhas são as que o ego emanam. Descobri que sim, egos podem ter cheiro. Mas isso é assunto que Daniel Barros nos falará em breve em seu novo livro.
A Ego in Vitro há muito lida com a ideia de assinatura olfativa e relacionamento entre ego e cheiros. Nesse sentido acredito que em Les Égocentriques há uma oportunidade única de brincar com o olfato, conhecer melhor o que mexe conosco e por fim a oportunidade de criar misturas que resultam em novos perfumes.
Há também imbricada a ideia do artesão, do artifice. De alguma forma o perfumista quando nos entrega algo dá um pouco de si em cada criação . E nós também brincamos de perfumistas ao fazer as escolhas e misturas conforme nosso desejo. É nobre a sensação de ver o Daniel Barros perfumista florescer e saber que em tantos momentos, ao meu ver, saiu-se sobremodo bem e inspirado.  Estamos então todos juntos nesse oficio solitário  e sensível de cheirar.Trata-se também de uma oferta. Um elo perfumista-perfume-receptor e os sentimentos nessa relação imbuídos.
As fragrâncias  vêm em 9ml em concentração eau de parfum  e sozinhas tem vasta capacidade de encantar. Parecem criações de uma alma vocacionada que tende bastante a crescer.E falarei cá um pouco a impressão de meu ego sobre cada um deles.

1) Cyrus. Leve e Fagueira. Citrinos doces, alegria de alecrim.  Vetiver terroso.Fundo seco, musgoso para lhe dar uma melhor duração e serenidade. Um ar de colônia chique. Fez-me sorrir pois é o tipo que gosto. Senti alguma lembrança de ô de lancôme e Acqua di Parma.

2) Tutti. Tutti Frutti.  Intenso. Duração extrema. Doçura pirulitada a invadir as narinas. Violetas pungentes e empoadas. Bagas e bagas vermelhas dulcíssimas. Cognac que aqui fica xaroposo.  Na linha de Insolence, Guerlain. Lúdico. Sexy.

3)Quinn. Floral clássico e sutil. Bouquet lânguido e amoroso. Jasmim. Ylang Ylang. Flor de laranjeira. Couro gentilissmo. De uma beleza encantadora.  Foi um dos que mais me demorei a apreciar.  Lembrou-me algo vitoriano, de beleza esmaecida. Um cheiro impressionista. Cheiro de bailarina de Renoir.


4)Renee. Floral verde de fim imprevisível. Um perfume que chamei de desequilíbrio harmonioso. A alma inicial é tranquila, herbácea, transparente, aldeídica.  Iris e gálbano verdinhos. O coração é vivo com flores e cio. Flores classudas, vistosas. O fim é uma cama onde arde uma civeta naturalíssima, incandescente. Dos meus preferidos, pegou-me em cheio.

5)Jiang. Claramente um dos meus preferidos(não sei dizer qual o preferido, no fim). Mas está entre ele, Renee, Quinn e Kaleb. Jiang é uma lavanda límpida e macia com fundo de almíscar branco de lavor e laivos secos que por vezes me remetem a orris ou vetiver. Para os amantes de perfumes funcionais e frescos é uma bela criação. É um perfume minimalista, delicado e dobrado calmamente. Um perfume que desperta paciência.

6) Birke. Um coração cowboy, diria. Uma cavalgadura, quase. Resinas. Madeiras.Couro. Feno. Musgo. Duração ad aeternum. Apesar de curtir um couro dominatrix a la cabochard ou musgos mofadíssimos com cara de casarões bolorentos a la Eau du soir, para mim Birke soou agressivo demais.  Preferido do marido!

7)Kaleb. Kaleb foi o amor sem aviso. Talvez uma bebida diária me levou até ele: café. Amigo de todas horas.  Amigo de fé de minha insônia  leitura e namoro. O cheiro do hálito do marido.Ou o amor pelos mais variados licores da avó que os deixava la em garrafas horas e horas se adensando em mágica licorosa. O licor de cacau  gotejado de baunilha de Dona Lourdes. Kaleb tem cognac, café, baunilha leitosissima, cacau. Gourmand que me pegou pelo coração, eu a que não sou fã de gourmands. Um que de rebelle.

8)Sasha. Esse foi o que mais tive dificuldade de identificar as notas, não sei o porquê.  Identicaram-no como spicy. Mas entendi mais cítrico e fresco com fundo incensado. Acho que nos perdemos, eu e ele. O gengibre aparece menos em minha pele. O que sobressalta em mim é a nota de sálvia  e um fim incensado, doce e resinoso. Tem também notas de incenso, mirra e elemi.

9) Greet. Este achei corajoso. Lembrou-me labuta . Dura faina. Descanso. Sombreiro. Terra e  mãos sujas. Algo agreste. Cheiro de mãos que acabaram de arrancar uma cenoura cheia de raízes. Cheiro verde, levemente doce, terroso. Cheiro de trabalhadores da terra que depois se reunem para tomar uma cachaça de rolha. Sim, ela, cachaça. Um salutar cheiro de nossa amada. Alcoolico e terreno. Achei Greet polêmico e ainda o acho bastante curioso. Mas não sei se o usaria.

E essa foi minha intuitiva e adorável caminhada pelo grande trabalho de Les Égocentriques. Convido vocês também a se aventurarem. Posso dizer que vale a pena. Vamos deixar que nossas paixões egóticas possam também ter cheiros:
Mais sobre Les Égocentriques e Ego in vitro aqui.

http://egoinvitro.com.br/
http://egoinvitro.com.br/egocentriques/

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Verão: sombra, água fresca e o meu perfume. Resenha do perfume Les nuits d'Hadrien, de Annick Goutal.





     Na rodada do mês com as versões dos blogs de perfumaria brasileira sobre cheiros de veraneio, resolvi homenagear um perfume cuja aquisição foi por mim bastante almejada. Fiz uma escolha assz pessoal de um cheiro "sapiente e salutar" para o verão, já que o escolhido é o que podemos chamar de "perfume literário". Falo de Les Nuits d'Hadrien de Annick Goutal ,criado inspirando-se nas memórias do sábio Imperador Adriano , da dinastia nerva-antonina, o pai da Palmyra Adriana,  "the Venice of the sands"(agora duramente destruída, desfigurada pelo ISIS, conto com o coração confrangido). 
    Adriano foi propagador do helenismo, arquiteto de talento e mesuras, conciliador, filósofo estoico, ora permeado pelo epicurismo, amante das paisagens, do temperamento grego e de suas influências no sul da Itália.
    O perfume é inspirado numa experiência salutar, no desfrute de um  céu estrelado, sob brilho lunar numa  noite  de veraneio em plena Toscana, quando Adriano derrama suas vicissitudes, beleza e inteligência, ao lado de seu amado  Antínoo,  tendo seu amor inspirado desde livros como "Memórias de Adriano" de Marguerite  Yourcenar  a poemas como o de Fernando Pessoa sobre Antínoo.



     É um perfume eivado de história, e como toda história, nos é imposta para que possa ser apreciada. Deste modo sentir Les Nuits D'Hadrien(As noites de Adriano) vai além de se refrescar com seu aspecto aromático e tônico; é adentrar nas frestas dessa história que, cheirando-a, parece transponível e próxima.
     Ao sentir o perfume cítrico aromático criado em 2003 por Isabelle Doyen e Camille Goutal, 
vem-nos o mar de Capri,  o mediterrâneo, os citrinos que encantam os amantes, que perfumam seus corpos. Vem a brisa marítima, a embriaguez do limoncello ,do licor de alcaravia,  do gim zímbrico.Que noite fresca, cítrica e mentolada é o perfume Les Nuits D'Hadrien! E como é possível aspirar nele  um pouco da inteligência e civilidade estupenda de Adriano! Ah! O seu gosto pelo simples(que é tão complexo)! Seu naturalismo benfazejo. O amor pela arte clássica, conservadora Um homem capaz de valorizar o passado,  restituindo-o, como fez com o Panteão. Um profundo propagador do Philhellenism.
     O amor  de Adriano ao ar fresco,  a cultura clássica, aos jardins e pomares foram eternizados em obras como a Vila Adriana em Tivoli, representação de sua incansável admiração pela estética, assim como  também em sua  Palmyra(que depois dele, se tornou para sempre a Palmyra Adriana, a menina de seus olhos, o magnífico oásis de beleza e cultura no Deserto) e em construções como o Templo de Vênus e Roma.
      Há uma qualidade que se pretende esteta nas noites de Adriano. É uma fragrância arbórea, estrelada, contemplativa. Parece que Adriano olha os céus com seus olhos clínicos de um homem que amava a astrologia. Há o espirito desbravador e livre.

Hadrian  villa ruins



Page: Hadrian Visiting a Romano British Pottery Artist: Sir Lawrence Alma-Tadema Completion Date: 1884 Style: Romanticism Genre: history painting Technique: oil Material: canvas


Teatro Maritimo. Vila Adriana.



        Considero esse perfume comunicativo, quase epistolar  tal como pretendeu Marguerite Yourcenar em seu livro "Memórias de Adriano", em que faz do Imperador um mestre a segredar a seu sucessor, Marco Aurelio, dizendo-lhe de glórias  e tragédias  aqui tão paisagísticas e bonitas. Falando-lhe de seus amores ao passadismo, do culto ao helenismo e de sua paixão profundo pelo tão belo e para sempre jovem Antínoo, eternizado  após sua misteriosa e antecipada morte como um Deus menino por seu amado Imperador.
     Os perfumes de Annick Goutal são quase sempre sentimentais e missivistas. De alguma forma, subordino-me ao seu chamado, enverado-me nas qualidades interpretativas do perfume, que tirando as notas, são sempre  considerações sumamente pessoais.
     A noite dos amantes, pois, está para mim acessível. Está tragável como um cheiro. É entusiasta como um cipreste conífero entoando seus ventos. Um vento mentolado. Fagueiro.
Está pronto o limoncello, adoçado pelo langor das bergamotas. Que cheiro doce de citrinos pode ter uma memória. E de bebidas e bebidas salutares os amantes se saúdam. Junta-se o quê do zimbro, baga arguta, tônica, temperada. Remoça-se Adriano com seu jovem Antínoo. Para sempre se perfumam e se avizinham.

      Les nuits D'Hadrien propõe uma noite álacre, cheia de argucia e vitalidade, eivada de alegria dada pela força cítrica,  com frutos extremamente naturalistas, com ar bastante transparente e fresco, com força nutriz, como o sábio Adriano venerava. Para Adriano nada melhor que o fruto em estado puro. Nada poderia ter mais cheiro da imortalidade que um fruto fresco. 


"Comer um fruto é fazer entrar em si mesmo um belo objeto vivo, estranho e nutrido como nós pela terra.” 

    O perfume tem  o cheiro da abundância nutriz do sul da Itália,  com seus frutos e condimentos, a alegria dos licores e limoncellos temperados com alcaravia(cariz ou kümmel, que lembra um tanto erva doce) e zimbro dos festins, os pomares verdejando com o manjericão, adoçados por baunilhas em fava.
    Um cheiro extremamente aromático ,com forte pendor de ciprestes prolongados pelo lado anisado da alcaravia e do zimbro vai se construindo.
    O resultado do perfume é rústico, naturalista , vocacionado para a meditação. Cheio de simplicidade elegante.Na versão eau de toilette não perdura mais que cinco horas, o que é normal para um cítrico aromático.
   Aspiramos pois a sensação incrível de se emaranhar na memória fresca  de ervas, frutas e ciprestes, uma experiência ostensiva, quase sacra, resgatando as memórias sublimes das noites do sábio Adriano.
   Pena que dure pouco esta sensação. Mas é um laivo de frescor senti-lo. De beleza vívida, de reparo de ruínas. Floresce um pálido amor.  Renasce o amor ao belo. O amor do grande arquiteto e esteta Adriano pela vida.  Vênus Felix se exibe, em seu templo eterno de beleza. Antínoo,  belo, nos sorri. O Pantheon mostra-se em seu vigor.

antinous pio clementino


Venus Felix.


Palmyra, por instantes, é novamente a Veneza das areias, se arboriza com nossas narinas. Renasce das ruínas.





Meu pranto para Palymira. E o pranto de Pessoa, para Antinoo.


..."Antinoo está morto, morto para sempre,
Está morto para sempre e todos os amores lamentam.
A mesma Vénus, que de Adónis foi amante,
Ao vê-lo redivivo então, e de novo morto agora
Oferece o renovo de seus antigos soluços: que somados sejam
Ao sofrimento de Adriano.

Apolo está triste: o ladrão
Do seu corpo branco arrefeceu para sempre.
Nem pacientes beijos na rosa do mamilo
Sobre o sítio mudo do bater do coração, lhe devolvem
A vida para abrir-lhe os olhos, fazer que sinta a sua
Presença no correr das veias, firme fortaleza do Amor.
Nenhum calor ficou de outras suas calorosas exigências.
Não voltará a ter sob a cabeça as mãos,
Do oferecido corpo que outras mãos imploram.

A chuva cai; ele está deitado como alguém
Que esqueceu todos os gestos do seu amor
E fica deitado à espera do seu cálido regresso.
Mas todas as suas artes e jogos estão agora com a morte.
Nenhum calor pode demover este humano gelo;
Nenhuma chama pode acender estas cinzas de um fogo."..

Fernando Pessoa.

Verifiquem as demais postagens dos blogs de perfumaria com o tema de verão sombra e agua fresca e um perfume!

Lu em floral e amadeirado
Carla em Pimenta Vanilla
Di em A louca dos perfumes
Pri em Parfumee 
Fotos fontes:http://paleonerd.com.br/2015/06/11/adriano-e-antinoo-todo-mundo-ama/

domingo, 6 de dezembro de 2015

Tag Respondendo uma seguidora sobre perfumes!

Tag Respondendo uma seguidora sobre perfumes(por Rosiane Andrade).

Perfumes citados: Romance Ralph Lauren,  Chanel n. 5, Rive Gauche YSL, Tommy Girl, CK one Rumba Passion, Kaiak feminino, Tabu de Dana, Morena Flor Avon, Far away Avon


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Tag Minha personalidade

Minha querida amiga do Aromas Dani que já elogiei aqui para vocês fala um pouco de si. Acho legal sabermos um pouco mais da pessoa por trás do cheiro...rs
É um dos melhores blogs brasileiros sobre perfume, tem um estilo leve e saudosista que remete ao meu e fico aqui agora para também indicar o novissimo canal da Dani
espero que as queridas companheiras de Blog Lu(Floral e amadeirado), Di(a louca dos perfumes), Carla (pimenta vanilla)e Li(Parfums e poesie) também façam uma tag similar em seus blogs.

Todos blogs que amodoro, aprendo muito. É uma alegria imensa desfrutar da amizade e do conhecimento de vocês!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Entrevista para o site Ego in Vitro

Tive o prazer de conhecer Daniel Barros no mundo virtual e através dele adquiri não somente perfumes raros mas também conhecimento intenso e contínuo sobre perfumaria em seu site de consultoria perfumística Ego in vitro. Ele é realmente um grande estudioso sobre o assunto e se esforça grandemente em seu site para trazer conteúdo fantástico. É nosso "patrimônio perfumístico" por excelência e é mister reconhecer seu esforço hercúleo de trazer o Brasil para um novo patamar de reflexão sobre perfumaria.
Daniel Barros é também autor dos dois livros 212 perfumes para provar antes de morrer e 303 perfumes para provar antes de morrer,  versão feminina,que tive o prazer de ajudar na seleção dos perfumes escolhidos. Ambos são generosas publicações informativas para quem é apaixonado pelo mundo dos perfumes. E acreditem: Vale muito a pena ter consigo esses livros!
O site Ego in vitro de Daniel Barros junto dos livros são  sem dúvida das  maiores fontes de conhecimento sobre perfumaria atual brasileira e também uma oportunidade de fazer uma consultoria olfativa exclusiva, pois se trata do Frangrance coach pioneiro do Brasil.

Livros:

Com grande felicidade fui entrevistada em seu site aqui juntamente de outros blogueiros brasileiros que se dedicam a decifrar o mundo dos perfumes:


Abaixo segue a entrevista, mas não se esqueçam de conferir as demais citadas no Ego In Vitro
http://egoinvitro.com.br/blogueiros/




Entrevistas com Blogueiros


CrisNobreCris Nobre | Templo dos Perfumes Cris foi uma das pessoas que mais ajudou a me desfazer da minha coleção pessoal, especialmente adquirindo os grandes clássicos e os retrôs, ignorados pela maioria. Imediatamente, detectei o perfil sério e engajado da blogueira, sempre muito cuidadosa na escolha (e até pronúncia) dos termos corretos. Seu blog Templo dos Perfumes é uma das maiores fontes de conhecimento em perfumaria para quem realmente se interessa pela arte. COMO É A SUA COLEÇÃO E COMO ELA COMEÇOU? Tenho cerca de 400 perfumes. Tirando as experiências infantis, o primeiro perfume que me pareceu adulto e feminino foi Rive Gauchede Yves Saint Laurent, que pude desfrutar aos dez anos. De alguma forma, aquelas rosas metálicas e distintas foram uma experiência muito significativa que iriam direcionar futuramente meu gosto olfativo e meu ideário sobre o feminino. A descoberta do romântico Chloé Narcisse na adolescência assim como o floral branco elegante que é oWhite Diamonds ou a convivência antiga com o calor doce e animálico do Tabu foram montando o que eu poderia chamar de um sólido estilo pessoal. QUANDO E COMO VOCÊ SE TORNOU UMA BLOGUEIRA? COMO PESSOAS PRÓXIMAS LHE VEEM? O blog foi criado em 2014, um pouco depois da criação do canal no YouTube com a mesma proposta. A motivação foi puramente passional. Fui digamos motivada pelo autodidatismo e a vontade imensa de fazer com que minhas descobertas olfativas “conversassem” com outrem. Havia uma premência de dividir impressões e conhecimentos adquiridos. Não muito depois de começar minha coleção comecei a escrever no blog e a fazer vídeos sobre o tema. Nem todos do meu círculo mais imediato me compreendem. Digamos que continue um amor solitário. QUAL O SEU PÚBLICO? O QUE ELE BUSCA? Meu público tenho descoberto ser bastante variado. Percebo uma fidelidade e uma ânsia não apenas por saber minhas preferências mas também sobre tendências. É muito comum receber pedidos de resenhas e ajudas. Fico feliz que tantas pessoas venham por vezes tirar dúvidas ou desejem saber minha visão sobre um perfume, mesmo que ela seja estritamente pessoal. Acredito que o meu texto busque o informativo, mas a forma que escrevo também acaba passando uma imagem contemplativa e passional. O resultado acaba sendo, acredito, espontâneo, informativo e tendo fazer sempre um texto cortês. O foco mormente são as seleções de perfumes para dadas ocasiões e os famosos rankings. QUAIS OS SEUS PERFUMISTAS E CASAS FAVORITOS? Gosto de Jean-Claude Ellena e Michel Roudnitska por serem criadores com convicções amorosas assim como também gosto muito de Sophia Grojsman por afinidade. Ela tem uma tendência criativa inconfundível em seus perfumes que casa perfeitamente com meu gosto pessoal. E as criações de Michel Roudnitska para DelRae têm me fascinado bastante pela força expressiva e sensível de suas criações. Gosto de Hermès e Guerlain pela tradição e elegância. QUAL O MELHOR E O PIOR PERFUME DO MUNDO? Tenho fidelidade a alguns perfumes comerciais como White Diamonds, Rive Gauche, Tabu e Ô de Lancôme. Meus nichos favoritos são: Amoureuse, Début e Bois de Paradise (todos de DelRae), além de Arabie de Serge Lutens. Alguns perfumes me incomodam ou não me chamam a atenção, mas não consigo sinceramente eleger algum como o pior. QUE PERFUME DEU MAIS TRABALHO DE CONSEGUIR? Vivo numa busca incansável por perfumes antigos. Tenho certa dileção por esses antigos tão difíceis de achar, especialmente os em bom estado de conservação. É difícil avaliar qual foi mais difícil de conseguir. Para mim são muito preciosos porque foram conseguidos com muito sacrifício, seja financeiro ou de tempo. QUAL O PERFUME MAIS SUBESTIMADO E O MAIS “HYPADO”? Tabu e os clássicos que ainda são fabricados pela Avon são aqui no Brasil os mais injustamente desprezados. Estou sempre na defesa desses perfumes que trazem sim grandes virtudes, além de terem uma importância na história das penteadeiras perfumadas das brasileiras. Mas no geral os perfumes “vintage” costumam ser bastante desprezados pelos mais jovens, o que também considero assaz injusto. Alguns perfumes Tom Ford e Serge Lutens são os que poderia chamar de superestimados. Deixo como recomendações de perfumes a serem descobertos: Coriandre (Jean Couturier), chipre dos melhores. Também recomendaria A Scent de Issey Miyake, floral verde primoroso. COMO VOCÊ VÊ A SI MESMA E A PERFUMARIA EM 5 ANOS? Espero que o blog continue ativo e vivaz, e em conectividade com outros blogs de perfumaria brasileiros. Acredito que eu possa ainda escrever muito, pois no momento tenho parado para estudar e me aperfeiçoar sobre o tema. Em relação à perfumaria, acredito que haverá um confrontamento entre o marketing e o espírito assim como crescerão os problemas em torno das restrições em torno das matérias-primas. A tendência da natural perfumery e o ingresso na perfumaria independente farão parte do atiçamento da cultura de nicho versus popularesco. Com grande público consumidor e perspectivas promissoras carecemos, porém, de maior e melhor investimento na criatividade. Necessita-se de maior engenhosidade. pois vejo infelizmente uma tendência a ceder sempre ao fácil e comerciável, sem grandes arroubos de espirituosidade nas criações. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O cheiro do paraíso: Resenha do perfume Je Reviens de Worth. Mesa redonda do mês de novembro!







Certa feita  li que o perfume Je Reviens de Worth tinha um cheiro de céu, um cheiro celeste.De alguma forma associo também esse perfume ao Paraíso.

O perfume Je Reviens é  uma  criação de Maurice Blanchet de 1932  para a casa de moda do inglês Charles Fredrick Worth que vestiu famosas damas do teatro e cinema como Sarah Bernhardt.

 Com sua popularização no pós- guerra , Je Reviens se tornou bastante conhecido no Brasil, embora já não se ache mais ele por ai. Já tive a experiência de ver pessoas chorarem quando o sentiram novamente. Era o perfume da juventude de muitos. O cheiro de mãe, de vó, de tias, de madrinhas, de vizinhas gentis que traziam bolos. É o encontro com os céus e o paraíso para muita gente. É o braço dado com a saudade e toda força que ela pode representar. Seja de amor ou dor, expurgação ou salvação, como um paraíso. Poucos perfumes vi trazerem tantas emoções para as pessoas como Je Reviens.

Por ser um perfume de muitas histórias, portanto assaz evocativo, é difícil dissociá-lo de experiência pessoais.

É evocativo até no nome “Eu volto” . E como volta! Volta num azul cortante.  




Para as moças dos anos 40 da época da Guerra, os soldados faziam a promessa da volta e  do paraíso perdido dando para suas esposas e namoradas uma garrafa de “ Je reviens”. Eram ternas as lembranças e dar um Je reviens para as penélopes parisienses da espera ficou na história da perfumaria mundial.
A popularização foi tanta que de perfume caro, de luxo, Je reviens se tornou mais acessível, alem de um enorme sucesso pois se tornou uma declaração de amor e um sopro de esperança de paz e de volta com seu sugestivo nome, imitando o sucesso que o perfume N’aimez que moi de Caron fez na primeira guerra.
Je reviens, como disse, é um dos perfumes mais sentimentais que tive notícia. .
Para mim , porém,Je reviens é o cheiro de sábados na minha terra natal. Dia de lavar roupas brancas, de se por anil, de se deixar sonhar com os cheiros evolando dos lençóis branquinhos quarando no quintal naquele céu azul imenso, puro, límpido que eu tanto olhava .Dia de ouvir minha mãe entoando cantos enquanto lavava roupa. Tardes fagueiras, começo de noite.Percebi que havia uma marca de anil que tinha o cheiro de Je Reviens que fatalmente me fez lembrar desses momentos. Este é Je Reviens para mim. Ficou com cheiro do céu azul que iluminava as roupas brancas que recendiam a ele. A cor azul do seu frasco, de sua caixa me dá mais essa ideia ainda. E descobri com isso que a fragrância de Je reviens inspirou saponáceos no mundo todo.
Mas há o Je Reviens para muitos. Há pouco tive a felicidade de achar dois frascos. Um  dele vintage que consegui com a querida Diana do Aloucadosperfumes (e vale a pena conhecer esse blog gente! Indico também aqui no fim do post pois ela também escreve sobre o cheiro do paraíso). Gratidão imensa!
Mas, sobretudo, Je reviens é um perfume azul. Azul de anil, azul de céu. E esse cheiro azul é  na verdade uma maviosa mistura de lilás, violetas, gerânios frescos, Iris empoada e jacintos(e suas amáveis coreis entre o azul, rosa e demais tons liláceos, o que faz ele ter alguma proximidade com Aprés L’ondée em certos momentos),rosas puras, narciso adamascado, citrinos muito ligeiros,jasmim tranquilo e aldeídos e aldeídos assaz vítreos e limpos(aldeídos a La First, Van Cleef and Arpels, o que faz dele um floral aldeídico por excelência.). Há um apoio de cravos doces e musgo de carvalho tão equilibrados e gentis que fico encantada como notas tão fortes aqui estejam tão carregadas de sutileza. Por isso cai tão bem associa-lo a cheiros de roupa  asseada. Um cheiro de céu , bênçãos e lavor. Um agradabilíssimo e elegante cheiro saponáceo sim. Mas ao mesmo tempo há algo de paz luminosa fresca e generosa que emerge dele assim como também uma profundidade misteriosa que o torna para mim complexo e inclassificável, no fim .Mas é perfeitamente possível ver moças  elegantes e jovens bem penteados usando –o num tempo antigo, num mundo melhor e passadista.
Sobre a cor azul que tanto nos comove que nos faz reviver memórias tão  estimadas , ela é em verdade inspirada na predominância da cor azul turquesa nas criações do estilista Worth, assim como também o querubim dourado  que está sempre na caixa faz parte do patrimônio da marca.
Só sei que tudo nele é de uma melancolia e pacificação tão invulgares e ao mesmo tempo tão estranhos que podem caber também num simples bloco de anil que branquejou as suas roupas ou na saudade doída das meninas por suas mães ou das moças pelos seus maridos que se foram nas guerras.
Cita-se muito sua semelhança com Blue Grass de Elizabeth Arden que ainda não conheci, infelizmente.
No fim para mim Je reviens é o cheiro do meu paraíso perdido,
É um dos cheiros mais signitificativos e gratificantes da minha vida E sinto um amor imenso por ele. E morro de medo de perder meu exemplar grande dele novamente(e querendo muito ter outro pra chamar de meu) e meu pequenino vintage de 20 ml é o meu talismã.

Beth Casagrande fala dele também aqui  e a querida Diana também aqui


Vocês podem encontrar mais excelentes "cheios do paraíso" aqui nos queridos blogs sobre perfumaria do nosso Brasil:


E de brinde, uma bela canção, pois "Je reviens"

Nos Encontraremos Novamente

Nos encontraremos novamente
Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado
Continue sorrindo até o fim,
Assim como você sempre faz
Até que o céu azul afaste as nuvens escuras para longe

Então por favor diga "Olá"
Para as pessoas que eu conheço
Diga que eu não demorarei
Eles ficarão felizes em saber
Que quando* você me viu partir
Eu estava cantando essa canção

Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado

[Nos encontraremos novamente,
Não sei onde
Não sei quando.
Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado.
Continue sorrindo até o fim
Assim como você sempre faz,
Até que o céu azul
Afaste as nuvens escuras para longe
Então por favor diga "Olá"
Para as pessoas que eu conheço.
Diga que eu não demorarei.
Eles ficarão felizes em saber
Que quando* você me viu partir,
Eu estava cantando esta canção.

Nos encontraremos novamente,
Não sei onde,
Não sei quando
Mas eu sei que nos encontraremos novamente em algum dia ensolarado]

Fotos fontes: google



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